Eu Gigante na Terra de Gigantes – Minha Primeira Corrida de Aventura

Terra de Gigantes Dani Christoffer

Minha Aventura começou no dia 13 de maio no lançamento do Livro Corrida de Aventura – A Natureza é nosso Desafio, de Caco Fonseca. Neste dia conheci pessoalmente o Caco e já comecei a me encantar por esse universo da Corrida de Aventura, até então desconhecido para mim.

Aí veio o convite! A corredora e  organizadora da Expedição Terra de Gigantes Mariana Bordallo perguntou: Você não quer participar do Terra de Gigantes, em Julho? E eu? Claro que disse sim, sem ter ideia do que se tratava. Mas se é desafio, topo na hora.

Vivo assim, aproveitando as oportunidades que a vida me oferece!

Comecei a me preparar para Expedição Terra de Gigantes! Primeiro psicologicamente, depois fisicamente. Como iria correr com o maridão, ficou mais fácil, o incentivo acordava e dormia comigo.
Dani Christoffer

E neste meu ciclo preparatório tive que mudar minha alimentação, então, fui à nutricionista Dra. Daiane Spitz, que me orientou com sugestões nada radicais, uma reeducação, mudanças nos hábitos. Gostei! Foi fundamental.

Treinei corrida, Bike, Boxe, Muay Thai, funcional etc. Busquei variar as atividades para trabalhar músculos adormecidos ou esquecidos. Sabia que iria precisar.

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As coisas mais importantes para a minha preparação foram as entrevistas que fiz com vários profissionais feras, sobre corrida de Aventura. Dicas preciosas que você pode ver e rever no Blog!

Começando pelo atleta Philipe Campello, Diretor Técnico da prova Terra de Gigantes; com Mario Love, Fisioterapeuta e Professor Especializado em Neurofisiologia; Iazaldir Feitoza, um dos maiores nomes do Trail Run no Brasil; e por último com o Alex Souto Maior, Doutor e Pós Doutor em Fisiologia, Mestre em Engenharia Biomédica, Especialista em Treinamento de Força e Graduado em Educação Física. Ufa! Foi mesmo um intensivo no Blog!

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Chegou o grande dia da prova, adrenalina a mil. Acordamos às cinco da manhã para deixar as bicicletas em um ponto há cerca de 1 km do local de largada. Depois participamos de um briefing, onde recebemos os mapas e as orientações da prova que iria de 30 a 50 km, dependendo do caminho escolhido pelo navegador.

Nosso quarteto era formado por mim , o Silvio (marido), a Sandra Limande, advogada, experiente em provas desse tipo, ela tem no currículo entre Corridas de Aventura, Crosstriathlon e Mountain bike cerca de 50 provas. E nosso navegador incrível, o experiente atleta de Corrida de Aventura, o Renato Gurgel. Nossa vida estava nas mãos dele e ele com mapa e bússola na mão decidiria nossa rota. Nos deixou bem tranquilos quanto ao caminho escolhido. Não dava pra errar. E ele não errou! Foi e uma competência ímpar.

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Para quem não sabe, na Corrida de Aventura precisamos cumprir tarefas, em meio ao trajeto. Temos que passar por PC’s, que são “Postos de Controle” virtuais. Neste posto não há ninguém, somente uma bandeira com um papel para ser picotado, o o que prova que cumprimos a tarefa, nossa equipe passou por ali, como se fosse uma caça ao tesouro. No mapa da prova consta os PC’s que precisamos passar mais as AT’s que são Áreas de Transição, quando trocamos de atividade. De trekking para Bike, de bike para canoagem e etc.

Largada as 9:05 da manhã com um trekking, uma corrida, de uma hora, mais ou menos. Começamos atravessando um mangue, um rio e subindo um penhasco que vou te contar, se eu olhasse para baixo, não seguiria, desistiria, tive que me concentrar.

Seguimos no trekking, e eu seguindo os passos da minha parceira Sandra, membro da nossa equipe, que o tempo todo se preocupava comigo. Ela ia abrindo caminho na mata e eu seguindo, onde ela pisava, eu ia atrás. Muito experiente e atenciosa Sandra foi fundamental para minha corrida.

Logo depois desse trecho, veio a canoa, hora de remar. Remamos até o local onde deixamos as bicicletas, pegamos as bikes e fizemos um percurso incrível numa trilha linda, passando por sítios, casas com cães bravos, aí a gente acelerou de verdade!

Logo deixamos as bikes e veio um dos momentos mais difíceis do trajeto, um trekking de 4km, parece pouco né? Mas foi uma subida que meu joelho, perna, coluna nunca haviam visto igual. Eu só pensava na volta, como desceria algo tão íngrime? Só se fosse rolando, brincadeira. Mas nesse momento minhas pernas doíam, tudo doía, sabe aqueles músculos que eu não sabia que existiam? Eu os conheci neste momento.

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E lá íamos nós subindo. Quando meu corpo não queria mais obedecer minha mente, meus passos foram diminuindo, veio uma mão e segurou na minha, era da Sandra, que não me deixava desistir. Ela e o Renato, revezavam, uma hora uma, outra hora outro segurava na minha mão. Pode ser psicológico, mas funcionou.

Neste momento pude entender o que é a Corrida de Aventura, muito além de superação, de uma atividade física, é o trabalho em equipe, a preocupação com o outro, o cuidado com o ser humano, o respeito, o companheirismo, a parceria no sentido mais amplo da palavra.

Na volta nos deparamos com uma caminhada dentro de um rio de água cristalina, caminhamos sobre as pedras. Momento que era preciso ter cautela, escolher bem as pedras, pois elas são escorregadias, mas um trecho lindo. A água devia estar congelante, mas como eu estava na adrenalina, sentia calor e queria mergulhar. Mas a prova tinha que continuar.

Saímos do rio e pegamos as bikes, mais um lindo percurso que o nosso quarteto fez pelas trilhas. Depois mais remo, remamos até o local do rapel. E neste momento pudemos curtir a paisagem de Angra dos Reis, paraíso na Costa Verde do Rio. Que visual, que mar, tudo inspirava e fazia valer a pena todo esforço até ali. Para nossa surpresa, encontramos pelo caminho uma linda estrela do mar, a admiramos por uns instantes e seguimos.

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Hora do rapel, somente dois do quarteto fariam essa prova. Eu e o Renato. Lá fui eu, só que para chegar no alto tivemos que escalar uma montanha. No início da subida Renato rasgou o joelho que começou a sangrar muito, mas ele seguiu. A subida era tão íngrime que ele teve que me puxar, eu já não tinha forças, estava cansada. Mas Renato, mesmo machucado não me deixou para trás, ele usou uma solteira, que é um tipo de corda que se usa no rapel, que entrelaçava nas árvores, escalava e me puxava depois. A solteira não é para isso, mas aí veio outro aprendizado para a vida, na Corrida de Aventura é preciso improvisar com o que temos, nem tudo é previsível. E deu certo ele subia e me ajudava a subir. Chegamos ao cume, era hora de descer no rapel.

Eu sem experiência, me equipei, ouvi algumas instruções e comecei a descer. No primeiro trecho foi tranquilo, mas de repente meus pés perderam o contato com a parede e girei, acabei ralando o braço, mas os instrutores me tranquilizaram e continuei a descer. Aí sim curti um pouco da paisagem até o final da descida, mas foi tenso! Logo em seguida Renato desceu e nosso quarteto estava junto de novo para remar o último trecho da Corrida. E para entrar no barco, me apoiei numa pedra grande e escorregadia com ostras quebradas e rasguei três dedos. Começou a sangrar, doía mas eu tinha muito que remar não é?Então era melhor esquecer a dor e remar para esquecer do machucado. A vontade de conclui era muito maior que a dor.

Remamos com toda nossa força, o cansaço batia, as mãos falhavam, o ritmo da remada não era mais os mesmo, mas a vontade de concluir era tão grande que a força apareceu e nos guiou até a chegada. Chegamos, cansados porém felizes e realizados.

Quando a buzina anunciou que a prova estava no fim, senti uma emoção forte, uma vontade de chorar, uma mistura de exaustão, felicidade e sentimento de dever cumprido. Sabia que não tinha que provar nada a ninguém, mas conseguir realizar minha primeira Corrida de Aventura foi um sonho e ao lado do meu amor, mais ainda! Só queria abraçar meus companheiros de equipe, sem eles não seria possível! Chegamos após cinco horas e quinze de prova e em segundo lugar na categoria quarteto! Meu primeiro pódio!

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Cada dia tenho mais certeza que podemos ir muito além do que imaginamos, conseguimos sim nos adaptar à situações inimagináveis, suportar dor, frio, calor, a mente no comando, o corpo obedece e nos surpreende. E quando realmente queremos, conseguimos.

Me senti gigante na Terra de Gigantes! Assim foi minha primeira Corrida de Aventura!

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